sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O que alimenta a sua zona de conforto?

Com frequência observo que no início de cada ano as pessoas fazem planos que envolve sair da sua própria zona de conforto. O desejo de fazer diferente do ano que passou é ás vezes tão intenso que a proposta de romper com as barreiras que impediram a execução de determinada atividade até então são substituídas pelas promessas de mudança. O que é extremamente saudável, afinal, toda proposta de movimento que contribua para o próprio bem estar se torna sinônimo de saúde e qualidade de vida.
Contudo, ao se colocarem diante da execução do que se propuseram é comum o contato com um grande sabotador de mudanças: o medo. Sim, a zona de conforto não é construída por uma "preguiça" boba, ela é alimentada pelo "monstro" do medo que entende que é melhor permanecer onde está e não ter prejuízos desconhecidos ou maiores que aqueles que já tem, do que investir em uma mudança e correr o risco de se deparar com um sofrimento novo, ou ainda, com aquele sentimento que mais atormenta o indivíduo. Este sentimento é completamente único, individual, singular. Para alguns há o medo de se sentir humilhado, para outros existe o medo de se sentir sozinho, abandonado, há quem tenha medo da frustração, de se arrepender, de não conseguir lidar com as consequências que a mudança; efeito da conquista; exigirá. Cada indivíduo mantém à sombra os seus medos com o intuito deles não aparecerem e estes medos dizem muito sobre cada personalidade.
"Neste ano farei academia!", "Até o fim do ano vou viajar sozinha pro exterior!"... E então se deparam com a timidez excessiva diante da ideia de mostrar o próprio corpo para um professor fazer uma avaliação de treino, ou com o medo de ter uma crise de pânico ao se perceberem dentro de um avião. Apesar de todos os prejuízos que se tem evitando lidar com estes medos, existe também o conforto de não ter que mobilizar o que causa dor emocional, é neste momento que a famosa zona de conforto se instala e mecanismos para não sair dela são construídos a nível inconsciente: "Eu não preciso de academia mesmo!", "Meu chefe nunca me dá férias!"...
Isso não significa que o desejo por estas conquistas desaparecem, ao contrário, ele ganha força à medida que é negado à nível inconsciente, mas o que acontece é que mesmo sabendo que muito da sua vida mudaria se conquistasse aquilo que quer, o medo de transpor as barreiras impostas pelo medo é maior.
Algumas pessoas chegam a dizer que precisam se conformar que nunca conseguirão o que querem, que não nasceram para isso, que precisam aprender a conviver com a frustração de não ter uma parte fundamental para si. Parece para elas que não há saída a não ser desistir. Mas, a própria desistência é uma questão de ganho, então, é necessário fazer o oposto: começar a identificar os prejuízos em todas as áreas da vida que se tem devido ao "monstro" que impede a execução daquela promessa de ano novo específica.
Entender o que aquele medo em específico diz a respeito da própria história de vida é fundamental para conhecer as restrições nas quais se aprendeu a viver. O medo de mostrar o corpo e se sentir humilhado por alguém que o próprio indivíduo julga "melhor" que si certamente influencia no seu trabalho, na sua vida familiar, social... A questão de inferioridade talvez oriente outras áreas da vida deste indivíduo, mas devido a ele ter encontrado recursos para mascará-la: ser autônomo, ter amigos que solicitam muito da sua ajuda, cumprir as expectativas familiares; faz com que não tenha que enfrentar este medo diretamente, algo que teria que fazer na academia, por exemplo. Do mesmo modo ocorre com o segundo exemplo: enfrentar o medo de se sentir sozinha em algo que ela considera instável e ou perigoso, pode também refletir nas demais áreas da sua vida: se cercar de pessoas sempre por perto, solicitar engajamento do outro constantemente para não se sentir vulnerável, querer garantias de que terá sempre uma relação para lhe dar suporte... Enfim, todos estes casos são hipotéticos mas permitem esboçar de que forma o medo que alimenta a zona de conforto do indivíduo reflete nas demais áreas da sua vida.
Então, uma forma de lidar com o que amedronta é enfrentando aos poucos, com suporte, dentro de uma linha própria de segurança, aqueles medos que orientam a nossa vida mas que por questões de manutenção da saúde psíquica estavam afastados da nossa consciência. Com isso é possível se aproximar aos poucos deles, sempre com cautela para não causar traumas novos e intensos em cima daqueles que já existem. Isto é feito em psicoterapia através de autoconhecimento e claro, da vontade de mudar.
Sua zona de conforto sente "fome", identifique de que ela se alimenta, evite que ela cresça. Não permita que seus medos atrapalhem os seus sonhos.




E se a nova tendência for ser feliz?

O que é que está na moda? Cintura alta, baixa, decote profundo, gola alta, tom pastel ou talvez um neon...? Mas, e se eu não me sentir bem vestindo aquilo que é tendência? Se a calça alta apertar demais minha cintura a ponto de me trazer desconforto? Ou se a calça baixa realçar aquela parte do meu corpo que não é a das minhas preferidas? E ainda, se aquele modelo de decote não for indicado pra minha anatomia mas for o que eu mais me sinto confortável, e ou, bonita?
A estética não surgiu ao acaso, ela é referência nas artes, arquitetura, moda... Serve como uma forma de harmonizar um ambiente ou roupa para torná-la mais aceitável para uma maioria de acordo com referências culturais e históricas. Deve formar sugestões de conceitos, opções e hipóteses a serem consideradas, mas jamais se tornarem regras universais a serem seguidas.
Conceitos de certo e errado constituem pólos opostos que estão presentes em tudo no mundo, e existem diversas teorias a respeito: religião, capitalismo, moral... Contudo, quando falamos de felicidade, precisamos selecionar não somente o que é considerado socialmente adequado e excluir o que é inaceitável, mas sim substituir estes pólos pela palavra saudável. Esta que consegue compreender a singularidade de cada indivíduo e respeitar a sua própria história de vida, aquilo que o toca sentimentalmente e que traz sentido para a sua existência.
Voltando à questão de estética, padrões e moda, sabe-se que quando existe uma referência, há a tendência para a comparação uma vez que seguir o que é aceitável socialmente promete trazer ganhos sociais: aceitação, mais relações, inclusão, elogios... Ou seja, ao comparar-se àquilo que é "correto", o indivíduo questiona o próprio valor e nega a sua própria individualidade se tornando apenas mais um tentando ser igual. É deste modo que sentimentos de inferioridade, autocobrança, menos valia e raiva do próprio corpo se manifestam. Na tentativa de ser aceito o indivíduo acaba se negando e construindo relações em cima daquilo que tenta ser mas, que não é. Assim surgem sentimentos de insatisfação, inveja, sensação de que não é amado incondicionalmente, existe sempre um vazio, uma falta que não se preenche até porque o antídoto para ela não é o que agrada o outro mas sim o que agrada a si mesmo.
Então, embora a mídia enfatize padrões e conceitos radicais para fortalecer o marketing e girar o comércio, é fundamental que cada ser humano ao invés de seguir o que é ditado, se questione primeiramente a respeito do que realmente gosta e lhe faz bem, que contribui para a sua própria aceitação.
Algumas pessoas brigam com seu próprio corpo, se diminuem, desqualificam, repudiam quem verdadeiramente são, esquecem que o corpo o qual habitam a seguem desde o ventre materno, que cada parte sua já foi de uma criança cheia de sonhos, de fantasias onde tudo seria possível, onde seriam amadas pelo o que se tornariam e não pelo o que vestiam.
Por isso proponho uma atividade: pegue uma foto sua de quando era criança, analise cada elemento da foto: expressão, postura, roupa, corpo... Depois vá até um espelho e analise cada parte sua: seu olhar, seu sorriso, e todos os outros elementos observados na foto. Perceba onde está aquela criança que merecia amor simplesmente por ser uma vida. E tente encontrá-la dentro de si.

Você não precisa fazer tanto esforço para se sentir amada, aceita, respeitada. Você somente precisa respirar fundo e querer bem a sua morada, o seu corpo, afinal, é nele que você habitará para sempre. Talvez a nova tendência possa ser transformada naquilo que a faz feliz.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Você se ama tanto quanto ama alguém?

Amor próprio não tem a ver com orgulho, vingança, desdém ou qualquer outra ação para punir o outro pelo dano causado. Até porque a responsabilidade do dano é do outro, mas a abertura para tal dano, é nossa. Amor próprio se trata de ações onde mesmo amando, gostando, querendo bem o outro (com suas qualidades e falhas humanas), abdicamos da relação porque percebemos que ao permanecer nela teremos mais dor do que prazer.
Então, amor próprio tem a ver com cuidar da própria vida independente dos afetos que se tem por outrem, é sair daquele lugar que até então era aconchegante, é dizer tchau mesmo que a vontade no momento seja a de fingir que está tudo bem e ficar ali agarrada (o) em um passado feliz. É saber reconhecer os próprios limites, é dizer o que vier a tona porque o medo de não ser mais aprovada (o) não faz mais nenhum sentido.
Mas, por que temos dificuldade de nos amar na mesma proporção que amamos o outro, ou seja, de onde surge a baixa auto estima? A auto estima corresponde a forma como o indivíduo aprendeu se perceber no mundo e ela é adquirida através das primeiras relações deste indivíduo. Famílias onde o padrão de cobrança impera, em que a competitividade é uma constante, ou que mantém condutas de censura e castração, contribuem para que o indivíduo construa crenças negativas a respeito de si passando a se perceber como um ser incompleto e insuficiente. O medo da solidão fortalece esses sentimentos negativos a respeito de si, fazendo com que o indivíduo se doe totalmente nas relações sem respeitar os próprios limites até mesmo porque para ele não existem limites para evitar ficar sozinho e para ganhar a atenção de alguém que julga mais importante que a si mesmo.
E, como podemos desenvolver o amor próprio em uma auto estima fragilizada? Identificar todos os prejuízos da falta de amor próprio é fundamental para que o indivíduo não faça somente exercícios disciplinados para se amar, mas sim que ele perceba as consequências do seu padrão de funcionamento e todo o sofrimento envolvido nele. Começar a olhar para si ao invés de somente para o entorno também é importante para o indivíduo entrar em contato consigo e resgatar lembranças onde se sentiu amado, foi reconhecido e respeitado por aquilo que é e que faz. E assim, ao reconhecer o sentimento de amor dentro de si, inicie um processo eterno e interno de auto cuidado e de carinho por quem é.
Se amar então significa calçar o sapato no número certo pra não causar nenhuma dor para os pés, nenhum prejuízo para uma parte que é sua. Significa se permitir sair de tudo que aperta, prende, machuca, dói, que não é compatível com a nossa saúde emocional e projeto de vida.
Então preciso te perguntar, existe algo hoje que machuca o seu EU? Existe algo que te aperta, aprisiona, te nega e não te aceita por inteira (o)? Se sim, talvez seja a hora de tirar estes sapatos e buscar aquele que não só te enfeita, mas que também te cuida, te conforta e te ajuda a dar mais passos adiante.
É o teu corpo, são as tuas emoções, são os teus sentimentos. É a tua vida.
Tudo bem seguir em frente sem os sapatinhos dos seus sonhos, melhor seguir descalça do que com pés machucados.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Prazer x Responsabilidade: Como conquistar o equilíbrio?

Quem é que não gosta de comer uma comida gostosa, ouvir uma boa música, rir com os amigos, namorar, assistir filmes e séries…? Todas as atividades que são orientadas pelo prazer são facilmente desenvolvidas por qualquer pessoa, principalmente se essas atividades exigem pouco esforço para a sua execução: assistir a um filme, dormir, ouvir música… Isso porque o nosso corpo gasta menos energia executando estas atividades, o que contribui para diminuição do desgaste físico e emocional.
O problema é quando o contato com o prazer se torna exagerado, é como um remédio que tem o objetivo de curar ou amenizar a dor, mas que quando usado em grandes proporções se torna um veneno capaz de trazer sérios danos para o indivíduo.
Algumas pessoas relatam em terapia que não possuem “freio” para os prazeres, não conseguem controlar as suas emoções e buscam constantemente obter alguma satisfação mesmo sabendo que poderão sofrer prejuízos significativos devido a isso. É o caso de pessoas que compram indiscriminadamente apesar das dívidas que já possuem, que comem de forma descontrolada apesar de saberem que isso acarretará em culpa e posteriormente, insatisfação, pessoas que traem embora temam as consequências da descoberta pelo (a) seu (sua) parceiro (a). Associado a estes comportamentos está a dificuldade de lidar com qualquer tipo de frustração mesmo que ela prive somente alguns poucos minutos de prazer e mesmo que insistir em um prazer traga mais prejuízos do que lidar com a frustração momentânea. A fuga é um mecanismo comum diante do contato com a frustração, e vem geralmente associada a raiva descomedida por ser privado de alguma satisfação.
Os excessos denotam dificuldade de encontrar sentido na vida além das satisfações proporcionadas por fatores externos. Logo, o indivíduo passa a desenvolver uma compulsão por prazer na tentativa de não entrar em contato com a sensação de vazio, tristeza e falta de sentido com relação a própria vida. Todos estes comportamentos escondem traços depressivos, e podem não ser identificados pelo indivíduo, suas queixas estão mais baseadas na dificuldade de insistir em algumas atividades e perda de interesse em atividades que antes ofereciam satisfação. Ás vezes as queixas surgem através de irritabilidade com algo ou com alguém que limita seu prazer, e sobretudo, com a falta de controle sobre algo ou alguém.
Dois passos são fundamentais para lidar com esta situação: é necessário aprender a “apertar o freio dos prazeres”, e sanar as insatisfações que constituem o gatilho básico para a busca constante por prazeres.
Um modo de apertar o freio dos prazeres é intercalando os mesmos com alguma responsabilidade. É necessário treino e dedicação, e a motivação para esta dedicação pode partir através da identificação dos prejuízos que se tem ao seguir a vida baseado na procura por satisfações o tempo todo. Então, quando o indivíduo perceber que por trás de cada prazer há um prejuízo, poderá construir mentalmente um novo modelo para viver a curto, médio e longo prazos. Através das metas que devem começar brandas, o indivíduo poderá avançar não de forma a substituir aquilo que o satisfaz por aquilo que não o satisfaz, mas sim buscando enfrentar as insatisfações até que o prazer se torne uma recompensa por ter cumprido algumas responsabilidades.
Para lidar com as insatisfações é necessário identificar que mensagem que elas passam, às vezes, crenças disfuncionais é que alimentam a fuga daquilo que julga-se não ser prazeroso e ao enfrentar as insatisfações ou responsabilidades, se observa que elas nem exigem tanto esforço assim, e que podem ser conciliadas com prazeres.
A busca por um profissional da psicologia é importante para desenvolvimento do autoconhecimento, identificação de crenças negativas, elaboração de sofrimento e construção de novas formas de enxergar a vida. Pense nisso, o seu maior prazer deverá ser a construção da sua própria paz.

"Eu não sinto" - Qual a relação entre o toque e a afetividade?

O tato é o primeiro canal de comunicação do indivíduo com o mundo. É através do toque que o bebê sente que existe algo além dele mesmo, que percebe sensações como frio, calor, que identifica se o toque lhe dá prazer ou dor. A pele é o órgão responsável por receber o toque, é através dela que as sensações são recebidas e identificadas.
As sensações que cada indivíduo tem ao ser tocado estão relacionadas ao modo como ele recebeu carícias na infância. Assim como todos os mamíferos, os bebês humanos possuem a necessidade de se sentirem seguros e aconchegados, e a forma como buscam a satisfação desta necessidade é através do contato próximo com outro, e que se dá principalmente com os seus genitores. Assim, será através das carícias que o bebê obterá o afeto e a intimidade que precisa, já o alimento e a tonalidade da voz dos pais, por exemplo, serão complementos e reforçadores destas carícias, justamente porque a pele é o primeiro plano da consciência humana.
O ser humano por possuir capacidade simbólica de interpretar e dar significado às suas experiências, consegue dar significado ao toque, simbolizar e interpretar por exemplo um aperto de mãos ou um cafuné, uma massagem, um beijo, uma relação sexual, sendo que este significado será dado de acordo com os limiares de prazer e desprazer que as sensações trazem.
Se você, quando criança caiu e machucou os joelhos e pediu para a mãe cuidar dos ferimentos, sabe o quanto o toque alivia dores. Se você já perdeu alguém e no momento do sofrimento recebeu um abraço, sabe o quanto o toque pode confortar. Se você já sentiu muito medo de enfrentar uma situação e naquele momento teve uma mão para segurar a sua, sabe o encorajamento que o toque traz.
Contudo, não são todos os indivíduos que conseguem integrar o ato de  tocar com os sentimentos. Para algumas pessoas, tocar e ter sentimentos são canais totalmente diferentes onde um independe do outro. A falta de contato corporal ainda nos primeiros anos de vida contribui para a dissociação do sentir e do pensar, estruturando desta forma personalidades que trazem consigo uma sensação constante de vazio, medo de entrega afetiva, falta de contato corporal e tendência a racionalizações. Assim, entende-se que a forma como as necessidades de carícias foram supridas na infância será expressada no modo como o indivíduo quando adulto irá demonstrar seus sentimentos tanto para si quanto para àqueles com quem se relacionar.
O medo de sentir dor é o conflito básico de indivíduos que possuem tendência a racionalização e dissociação dos sentimentos, isso porque em algum momento da sua vida este ser entrou em contato com situações de extremo sofrimento buscando na razão uma forma de evitar entrar em contato com qualquer tipo de dor. Contudo, ao evitar-se entrar em contato com a dor, evita-se também entrar em contato com o prazer, o que contribui para o fortalecimento da sensação de vazio existencial e de insatisfação constantes.
Uma forma de lidar com o medo de sentir é tentar identificando a visão que o indivíduo tem de si, e principalmente, quais ganhos e prejuízos de fortalecer este traço de carácter. Identificar comportamentos que contribuem para a fuga dos sentimentos também possibilita um reajuste comportamental, contudo, a mudança principal precisa ser a partir dos próprios sentimentos. Quando avaliamos todas as crenças apreendidas no decorrer da nossa vida, começamos a sentir as emoções que elas causam e o que está indiretamente contido nelas. É assim que a elaboração de traumas e conflitos que justificam o bloqueio emocional podem ocorrer.
Se você se identifica, busque auxílio psicológico, perceba o que o medo de sentir tem trazido para a sua vida, e como você gostaria de preencher a sensação de vazio existencial que sente. Se permita mudar, é através do toque que conseguimos identificar sentimentos registrados na nossa psiquê e ressignificá-los.

domingo, 20 de agosto de 2017

Como você lida com as frustrações?

Receber um “não” é sem dúvidas, frustrante, afinal, ele corresponde a uma negação da satisfação de um desejo ou de uma necessidade que não depende unicamente de nós. Quando somos crianças não compreendemos bem as regras sociais, e somos movidos pelo desejo imediato, embora muitas vezes ele nada tenha a ver com uma real necessidade. Pedimos para a mãe nos deixar comer o doce antes do almoço e somos frustrados ao ouvir: “Agora não”. Choramos, tentamos barganhar, batemos o pé, brigamos, tudo em prol de satisfazermos a nossa vontade, de sermos atendidos, de ganharmos o conflito.
Acontece que conforme os anos passam, as regras sociais exigem que o indivíduo se adapte à elas, deixando de lado muitas vezes a sua própria vontade. Logo, o controle das próprias emoções se torna fundamental para uma convivência pacífica em sociedade. Contudo, algumas pessoas possuem dificuldade em se adaptar a regras, principalmente porque elas geralmente exigem responsabilidade e abdicação dos próprios prazeres.
Provavelmente você já ouviu a expressão: “Não sabe perder!”. Algumas pessoas não admitem uma frustração, apresentam dificuldade em aceitar determinada perda (por mais banal que ela possa parecer: jogos, competições, promoções…), e assim entram em contato com vários sentimentos que possuem representações extremamente dolorosas, geralmente associados aquilo que o “não” representava para elas na infância, agindo deste modo, como se ainda fossem crianças.
Há quem fique triste e melancólico, fazendo da perda uma barreira para a busca de novos “sim’s”, há quem considere que o “não” que fora recebido corresponde a uma punição por não ser merecedor, ou bom o suficiente, deste modo afetando a própria auto estima e podendo desenvolver quadros depressivos. Mas há também quem fique irritado e com dificuldade de controlar a própria raiva, agredindo verbal ou até fisicamente qualquer pessoa que tente amenizar a situação.
A capacidade de lidar com frustrações está diretamente ligada a forma como o indivíduo aprendeu a se ver diante da vida. Este aprendizado é construído ao longo da história de vida de cada pessoa, a forma como os pais ou educadores ensinaram a criança a lidar com perdas contribui significativamente para o modo dela se enxergar em sociedade.
Pessoas com comportamento imediatista, que lidaram precariamente com frustrações ou que não entraram em contato com elas porque conseguiram a satisfação de todas as suas vontades seja através de um choro, de um grito, birra ou briga, aprenderam que este é um meio de conseguir o que desejam, e diante do recebimento de um “não” agem desta mesma forma buscando transformá-lo em um “sim”. A agressividade diante da frustração também é comum em quem não aprendeu a pensar em sociedade, ou seja, além do seu próprio bem estar, deste modo, direta ou indiretamente descontam a raiva que sentem em quem se aproximar ou interromper os seus desejos.
Para lidar com as frustrações de forma saudável e adulta, é necessário analisar os sentimentos que um “não” causa, estes sentimentos precisam ser analisados para que seja identificada a sua origem e elaborada a sua causa. Esta alternativa é importante porque contribui para que o indivíduo reestruture a forma de ver a vida e também de se enxergar nela.
Compreender que desejos não são o mesmo que necessidades também é importante para a aceitação da frustração, quando a frustração for designada a uma necessidade, é fundamental que o indivíduo busque meios de exercer os seus direitos.
Aprender com o resultado das ações pregressas: brigas, discussões, conflitos, também auxilia no enfrentamento da frustração com uma nova ação, mais condizente com a idade e com a responsabilidade que se tem.
Por isso, ao perceber que você tem dificuldade de controlar as suas emoções diante de uma frustração, procure identificar os pensamentos e as sensações que surgem e busque auxílio psicológico para elaborar suas questões e aprender a administrar de forma saudável os “não’s” recebidos ao longo da sua vida.

Como você tem buscado a sua felicidade?

As exigências sociais, cada vez mais orientadas pela exposição da própria felicidade através das redes sociais possuem um implicante muito importante a ser analisado: a sensação de obrigatoriedade em se encaixar em padrões estabelecidos culturalmente.
E, diante das tentativas em se encaixar naquilo que é considerado bom para um determinado público, ás vezes acabamos relembrando dores há muito esquecidas, ou ainda, desenvolvendo consequências difíceis de serem administradas devido a crença que temos a nosso respeito diante da dificuldade em ser como as “pessoas felizes” são.
Ter vários amigos, frequentar diversos eventos, estar envolvido em alguns projetos sociais e profissionais, buscar constantemente novas paixões, novas ocupações, são comportamentos que implicam em movimento e este, muitas vezes é associado a felicidade. Contudo, em alguns momentos o movimento e a busca incessante por felicidade podem representar fugas de dores emocionais, e ou, pode indicar insegurança pessoal, afinal, quando seguimos os modelos de felicidade de alguém, confirmamos a dificuldade que temos em construirmos os nossos próprios modelos.
Estas exigências embora se dêem de forma velada, ou seja, nem sempre vem através de pedidos alheios, mas sim através das próprias comparações que fazemos com relação ao que o outro expõe, precisam ser observadas não como regras para conquistar a tão almejada felicidade, mas sim, como possibilidades, estratégias, alternativas para se sentir feliz.
Diante do término de um relacionamento conjugal por exemplo, algumas pessoas partem na busca de novas ocupações, formas de preencher a dor da frustração originária da perda do seu objeto de amor. Assim, tentam curar suas dores preenchendo todos os espaços vazios dentro de si, contudo, ainda assim não se sentem feliz porque a ocupação não é o alimento certo para preencher aquela dor mais profunda: a da perda. E dessa forma se sentem ainda mais distantes da felicidade, afinal, lidam tanto com a frustração originária da perda quanto com os sentimentos vinculados a impotência e ou incapacidade diante das tentativas de serem felizes.
Desta forma aprendem a substituir prazeres ao invés de curar dores, e, alimentam continuamente a própria insatisfação pessoal, retardando o processo de luto que é tão importante diante de perdas afetivas.
Se, diante das tentativas de se encaixar naquilo que representa ser feliz para o outro você se sentir frustrado, triste, irritado, preste atenção naquilo que você tem feito consigo. Todos nós possuímos capacidade de autoregulação, logo, todas as respostas necessárias para abrandar o sofrimento estão conosco, o que dificulta o acesso à elas é a tendência em buscarmos externamente, através de modelos estabelecidos, o caminho para a felicidade.
Cada indivíduo tem seu conceito de felicidade, contudo, algumas pessoas desconhecem o seu, por isso também que tentam viver aquilo que para o outro faz sentido. Esta tentativa é válida porque demonstra a busca por satisfação e logo, a necessidade de dar novos sentidos para a vida, contudo, se ao insistir nestes modelos você se perceber frustrado e insatisfeito, reconheça a importância de retornar para si e buscar internamente as respostas para as suas próprias perguntas.
Ás vezes você só precisa parar, descansar, e estar consigo. Ás vezes o vazio emocional não é devido a falta de companhia, mas sim da falta de respeito e de amor consigo.