quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Quem tem sede demais não escolhe a água que bebe - Você ama demais?



Como é a sua relação com o amor?
Você já se perguntou se é uma pessoa que ama demais?
Em algum momento da nossa vida desejamos vivenciar o sentimento de amor. Geralmente associamos este sentimento com os relacionamentos conjugais onde acreditamos na existência de uma figura que desperte os nossos sentimentos e comportamentos mais saudáveis. Porém, algumas pessoas tem dificuldade de estabelecer um relacionamento saudável mesmo que ainda considerem que ele é regido pelo amor. Acontece que para algumas pessoas, mulheres principalmente, o amor é medido segundo a intensidade de sofrimento que ele causa. Parece absurdo? Pois essa realidade é muito comum.
Você provavelmente já conheceu alguma mulher que fez do seu relacionamento o motivo da sua existência, ou que buscou sempre o mesmo padrão de parceiro: infantil, dependente e narcisista, ou ainda, que justificou todos os erros do parceiro ou se responsabilizou pela infelicidade dele. Saiba que essas mulheres tem algo em comum, elas são consideradas mulheres que amam demais.
Ninguém se torna uma mulher que ama demais por acaso, crescer como mulher em uma sociedade que estabelece estereótipos de gênero e em famílias com desajustes emocionais contribui para o desenvolvimento de comportamentos como: abnegação, submissão, necessidade de se sentir necessária na vida de um homem, necessidade de ser mãe do próprio cônjuge, dificuldade de identificar a necessidade de colocar limites.
Amar demais significa ficar obcecada por alguém e considerar essa obsessão como uma expressão de amor, permitindo que ela controle as emoções e boa parte do comportamento mesmo percebendo que exerce influência negativa sobre a própria saúde e bem estar, e ainda assim considerar-se incapaz de se opor à pessoa. Amar demais significa medir a intensidade do seu amor pela quantidade de sofrimento que ele traz.
Características de quem ama demais:
  • Insegurança;
  • Baixa auto estima;
  • Medo de ficar sozinho (a);
  • Sentir-se culpado (a) pelos erros do outro;
  • Responsabilizar-se pela felicidade do outro – “Complexo de salvadora”.
Como age nas relações:
  • Nega a si para satisfazer o outro;
  • Depende da felicidade do outro para sentir-se feliz;
  • Possui vício em ter a presença do outro;
  • Necessidade de ter controle sobre o comportamento do outro.
Quando as nossas experiências na infância são bastante dolorosas, recriamos situações parecidas em nossa vida adulta como forma de conseguirmos domínio sobre elas. Logo, as pessoas que amam demais certamente vivenciaram na infância relações onde sentiam que precisavam ser “muito boas” para se sentirem amadas, e assim na vida adulta passaram a buscar relacionamentos onde existia o desafio de serem cada vez melhores para o outro para serem aprovadas, porém nunca sendo suficiente para elas mesmas. Ou, na infância aprenderam que precisavam cuidar da família para que o lar não fosse tão desajustado.
Logo, na vida adulta essas mulheres buscam parceiros infantis ou dependentes para que assim elas consigam reproduzir o papel de cuidadora, papel esse que elas reproduziam tão bem na infância mas que não lhes dava o que elas realmente precisavam na época e que por não ter sido suprido prevalece na idade adulta que é o amor incondicional. “É a possibilidade emocionante de retificar velhos erros, de ganhar o amor perdido e de conseguir a aprovação negada, que para as mulheres que amam demais é a química inconsciente que está por trás do se apaixonar” (Robin Norwood).
Acontece geralmente que essas mulheres buscam e acabam encontrando parceiros que realmente se encaixam nas necessidades delas: se ela precisa se sentir necessária, encontrará um homem que procura alguém que assuma as responsabilidades por ele, se ela precisa se sacrificar para receber atenção, encontrará um homem egoísta… Dificilmente essas mulheres se relacionarão com alguém que não fortaleça os papéis que elas estão acostumadas a representar, assim evitarão relacionamentos saudáveis e maduros, isso porque não se sentirão atraídas por aquilo que não as desafia a receber amor. Para as mulheres que amam demais, receber amor significa aceitar o sofrimento oriundo da relação.
Apesar desses padrões comportamentais terem sua origem na infância, é possível desconstruí-los para então aprender uma nova forma de amar, essa mais saudável e compatível com as reais necessidades dessas mulheres que por tanto tempo acreditaram que eram merecedoras de tão pouco. O primeiro passo é sem dúvidas identificar qual o conceito de amor que se tem, e se ele é compatível com a relação que se vive. O segundo passo é analisar de que forma as experiências negativas do passado tem se repetido no presente, para então entrar em contato consigo, desenvolver amor próprio, cuidar de si e construir novas formas de dar e receber amor.

Existe limite para a expressão da raiva?

A raiva é um sentimento que possui origem na frustração de desejos e expectativas. E essas são desencadeadas geralmente quando o indivíduo tenta controlar algo ou alguém mas percebe que não obteve o resultado que gostaria, logo, automaticamente ele se frustra consigo ou com o outro. A frustração por sua vez desperta crenças pessoais internalizadas: “Não sou bom o suficiente”, “Eu não admito ser contrariado”, “Estou sendo rejeitado”, “Isso precisa funcionar do meu jeito!”… Essas crenças por sua vez geram sentimentos como: tristeza, medo, angústia, que podem despertar raiva ou a ira como expressão de agressividade ou até mesmo como defesa para evitar sofrer ainda mais… E como consequência, desencadear atitudes compatíveis com todo esse conjunto de percepção disfuncional a respeito de si, do outro  e da vida.
Se imagine na seguinte situação: Você aprendeu que precisa “ganhar” toda discussão para se sentir reconhecido. Você inconscientemente desenvolveu o autoritarismo devido a uma insatisfação pessoal originada na infância onde sentia que para receber aprovação precisava sempre “estar certo”. Em uma conversa, alguém discorda do seu ponto de vista, com isso você acessa a crença de que sua percepção foi desqualificada e de que não pode perder o controle da situação pois precisa ser aprovado, e com isso sente raiva pois entra em contato com o seu sentimento de desaprovação/rejeição. Então, como é difícil ter que lidar com esta dor, você expressa toda a raiva acumulada de todos os eventos em que se sentiu rejeitado: agride verbalmente a pessoa que não concordou com o seu ponto de vista, a insulta e a desqualifica pois é exatamente dessa forma que você se sentiu.
Perceba que você tem o direito de estar com raiva, mas que isso não lhe dá o direito de ser cruel com o outro. Embora seja uma auto defesa, pois ela impulsiona o indivíduo a se posicionar e expressar seus sentimentos e pensamentos, a raiva possui como característica também impulsos auto destrutivos. Isso porque como ela é um acúmulo de tensões, quando é liberada, não possui filtros nem controle. É desta forma que alguém fica “cego de raiva” e acaba tendo comportamentos impulsivos e descontrolados, causando danos maiores que a própria situação que desencadeou o seu estresse.
É importante saber que quando se está com raiva, tem-se o direito de estar com raiva e de sentir plenamente este sentimento, porém, é necessário compreender que a expressão da raiva sem maturidade emocional pode gerar como resultado o afastamento de pessoas até então próximas, pode despertar agressividade no outro também, incompreensão, tristeza, medo… A crueldade geralmente surge como expressão da raiva, porém ela além de não ser resolutiva para o problema em si, ainda demonstra imaturidade emocional, falta de controle sobre os próprios sentimentos, além de causar danos sérios para quem ela é direcionada.
É importante compreender que a raiva não deve ser contida, que ela precisa ser expressada para aliviar as tensões e a partir disso possibilitar um raciocínio mais claro e brando. Contudo, existem formas saudáveis de expressar este sentimento sem que ele traga prejuízos para si e para o outro. Mesmo que exista um motivo coerente para se sentir com raiva, é fundamental desenvolver a habilidade de expressa-la para que seja resolutiva ao invés de criar novos problemas. Por isso é tão importante se conhecer, é através da autoanálise que conseguimos identificar como estamos nos posicionando e quais as consequências deste posicionamento. Se questione:
  • Em quais situações sinto raiva?
  • Como eu expresso a minha raiva?
  • Quais as consequências para mim e para os envolvidos quando eu expresso a minha raiva desta forma?
A partir disso, desenvolva formas mais saudáveis de expressar a sua raiva, e ou busque auxílio psicológico para a elaboração dos conflitos que originam essa raiva e para o desenvolvimento de estratégias de expressão deste sentimento.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Saudade e carência: qual a diferença?

Existe uma linha muito tênue entre a saudade e a carência, é como se os dois sentimentos possuíssem a mesma origem: o passado. Porém, se distanciassem na forma como se apresentam: uma está mais próxima da contemplação deste passado e a outra se aproxima mais da sensação de vazio e de falta que este passado traz.
De forma prática, a saudade corresponde a um sentimento de nostalgia que é evocado através de lembranças específicas. Essas lembranças geralmente trazem momentos em que a pessoa se sentia amada, cuidada e alegre. Já a carência corresponde à sensação de falta destes momentos, gerando como consequência uma dependência dos mesmos momentos para se sentir completo (a).
Logo, sem uma autoanálise, o indivíduo pode confundir esses dois sentimentos expressando-os de forma incompatível com o seu desejo real. Como a carência faz o indivíduo entrar em contato com a sensação de falta, automaticamente ele identifica a sua necessidade de ter e de se preencher, é por isso que a carência é geralmente acompanhada de atitudes impulsivas.
Exemplo: Você está caminhando quando alguém passa e deixa o perfume daquela pessoa com que você conviveu, mas que não está mais presente em sua vida. É provável que você relembre alguns momentos vividos com ela ou que a imagem da pessoa apareça em sua mente, e você sinta saudades. Porém, caso você não tenha elaborado e compreendido o afastamento entre vocês, e por perceber que se encontra sem as sensações positivas que teve em alguns momentos com esta pessoa, ou ainda, que está sem qualquer outro relacionamento compatível com os seus desejos e necessidades atuais, pode através de uma atitude impulsiva entrar em contato com este antigo relacionamento e expressar os seus interesses para com ele.
Esta situação sugere um grande risco de frustração, pois devido à solidão, pode-se buscar relacionamentos que não darão o suporte que o indivíduo precisa no momento, contribuindo ainda mais para que se instale a sensação de vazio ou de dependência emocional.
Quando a pessoa entra em contato com a carência ela automaticamente identifica o vazio que sente, e por ser doloroso “se perceber vazio” ou com a falta de bons momentos ou de alguém, a pessoa acredita que a sensação de falta significa que ela ama o outro, e nesse caso acaba levando para a relação as suas dores ao invés de levar o que realmente sente pela pessoa “amada”, até porque a sensação de solidão é tão intensa que ela somente quer encontrar algo ou alguém que a preencha e que a tire do seu sofrimento. Outro prejuízo que a carência traz é a dificuldade de entrar em contato com a realidade.
A sensação de falta faz com que o indivíduo idealize o passado e queira reproduzi-lo no presente, assim, ele geralmente seleciona um momento específico e dá à ele um poder mágico, um encantamento, esquecendo completamente o contexto em que foi vivido: Às vezes o relacionamento era conturbado, mas a pessoa por atualmente se sentir sozinha desconsidera os aspectos negativos e deseja reviver este relacionamento. Ou, o relacionamento era muito prazeroso porém acabou quando a paixão saiu de cena, mas mesmo assim a pessoa por não sentir mais a euforia da paixão e ter que conviver com a vida real, deseja reviver este relacionamento sem considerar que a realidade e euforia não conseguem se sustentar juntas.
Por isso a autoanálise é tão importante, é a partir do autoconhecimento que o indivíduo consegue identificar os seus sentimentos e expressá-los fielmente, sem confundi-los. Então, quando você perceber que está sentindo falta de algo ou de alguém, avalie como está a sua vida no momento, e com foco na realidade, reflita sobre as possibilidades de se satisfazer sem depender disto para se sentir constantemente feliz.
Talvez você somente precise de um carinho, mas não necessariamente daquele carinho específico. E quando você sentir saudade, mantenha o foco no seu presente e contemple a lembrança como mais uma história da sua vida, mas não transforme esta lembrança no significado de toda a sua felicidade. Lembre-se: é você quem estabelece os limites entre a carência e a saudade, se conheça e respeite os seus sentimentos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Descansar ou desistir? Escolhas para um novo ano

O final do ano traz consigo a proposta de deixar para trás os incômodos do ano que passou, e construir novas alegrias no ano que se aproxima. Nesta época do ano existe uma ideia de que todos os problemas ficarão para trás assim que os ponteiros do relógio passarem da meia noite. É como se a partir do início do novo ano os problemas automaticamente sumissem, como se falássemos: "Deixa pra lá", e os problemas passassem então a não influenciar mais os nossos comportamento e os nossos sentimentos durante todo o novo ano. Esta ideia pode funcionar para as pessoas que realmente precisam de um motivo para finalizarem ciclos pois, desta forma justificam as suas escolhas - o fim de determinadas situações - baseadas em uma crença universal de que ano novo implica em comportamentos novos. Essa crença pode ser muito positiva porque pode impulsionar a tomada de decisões, porém pode mascarar o medo de enfrentar a responsabilidade pessoal na origem de determinados problemas.
Assim, é importante compreendermos que quando nos machucamos, não curamos a ferida pedindo para que ela pare de doer porque é ano novo. E que nesse caso a ferida continuará doendo apesar do ano ter passado, mesmo que num primeiro momento ela esteja dormente devido ao anestésico da "promessa de  ano novo". 
Situações como esta são um exemplo de como algumas pessoas funcionam:
·         Buscam justificativas externas para suas tomadas de decisões,
·         Quando sentem-se cansadas imaginam um contexto mais prazeroso e desistem de compreender o porque do seu cansaço, e deste modo, não refletem sobre as possibilidades de descansarem ao invés de iniciarem um novo ano na ilusão de fazerem diferente, e inconscientemente reproduzirem os mesmos comportamentos.

Por isso é tão importante ter discernimento e cautela para não se tornar um indivíduo compulsivo por motivos para "deixar pra lá", e que desistem de enfrentar as adversidades preferindo buscar novas alegrias.

Quando surge o questionamento sobre: Descansar ou desistir, algumas pessoas consideram que a resposta para essa pergunta corresponde em avaliar a importância de tal situação na vida da pessoa. Ou seja, partindo desse pressuposto, quando desistimos de algo é porque aquilo não era realmente importante para nós, e quando descansamos de um estresse mas retomamos o fôlego significa que agimos deste modo porque consideramos que aquilo é realmente importante para nós.
Essa resposta seria correta caso não nos boicotássemos tanto diante das nossas escolhas. Não somos tão práticos e previsíveis assim, o ser humano é extremamente complexo e para evitar sofrer desenvolve mecanismos inconscientes que o boicotam e o conduzem a uma escolha que a princípio é menos dolorosa. Nenhum conflito é solucionado sem a elaboração deste, ou seja, mesmo que se busque novas alegrias, enquanto o comportamento antigo que contribuiu para a origem do problema não for aceita, compreendida e transformada, as novas alegrias se contaminarão pelos velhos comportamentos, se transformando assim em um circulo vicioso.

Talvez, no último dia do ano, ao invés de descartarmos os problemas do ano que está acabando, buscássemos compreender o porque deles terem acontecido, rever o que está nos  levando a desistir de cada um deles - compreendendo que quando desistimos de algo porque consideramos ruim ou negativo para nós, desistimos também de transformar este ruim em algo bom, abdicamos da nossa capacidade de te resiliência e de aprender a enfrentar algumas batalhas. Não precisamos ganhar todas as batalhas, mas podemos reconhecer quais valem a pena se lutar para não sermos vencidos por elas mais adiante.

Lembre-se: A gente só consegue "deixar pra lá" quando compreende a responsabilidade pessoal na origem do problema, exceto isso, é como se esperasse que o problema desaparecesse porque o ano novo está se aproximando. Portanto, antes de desistir, reflita se você já descansou o suficiente. E saiba que: "Tudo aquilo que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos mais adiante e chamaremos de destino" (Jung). Pense nisso!


Como diminuir a minha insegurança?



Existe uma queixa que surge com frequência dentro de um setting terapêutico: a insegurança. Nem sempre a queixa é revelada de forma consciente, algumas pessoas por estarem focadas nas consequências originadas pela insegurança, não identificam que foi ela quem possibilitou toda a situação conflituosa. Assim, não percebem que a situação em que se encontram é consequência da falta de segurança que tem sobre si. E desta forma trazem através das suas histórias particulares contextos de dependência afetiva, submissão, rigidez consigo e para com os demais...
A insegurança está relacionada diretamente à necessidade de receber amor e aprovação externas uma vez que o indivíduo não se sente capaz de receber o amor por quem ele é devido a crenças negativas estruturadas ainda na infância. Essa insegurança pode ser observada em alguns contextos, como:
·        Necessidade de se afirmar perante os demais: "Eu estou sempre certo!"
·        Comportamentos que demonstram carência afetiva, necessidade de receber carinho constantemente e dificuldade de tolerar e compreender as necessidades do outro.
·        Cobrança pessoal: "Eu não posso errar nunca!", "Tenho que ser muito bom!".
·        Aceitação de relacionamentos abusivos onde o indivíduo por não ter segurança com aquilo que gosta e quer, acaba aceitando as imposições alheias e se submetendo.
Então, como desenvolvemos a segurança pessoal?
A segurança sobre si corresponde na defesa dos próprios princípios, no respeito consigo, na tomada de decisões com maior assertividade, na compreensão dos próprios limites... Para desenvolvermos a segurança precisamos necessariamente conhecer como funcionamos, o que sentimos em situações específicas, quais os nossos conflitos internos, nossas fragilidades, nossas defesas e nossas fugas. Quando compreendemos esses fatores, automaticamente conseguimos nos administrar melhor diante de situações conflituosas. Mas, quando não nos conhecemos, acabamos negando quem somos e é assim que investimos em relacionamentos que não são saudáveis ou que não se sustentam, nos engajamos em projetos que ultrapassam os nossos limites, fazemos escolhas que são opostas ao que podemos oferecer genuinamente. E a consequência da falta de autoconhecimento é sem dúvidas um sofrimento que engloba: tristeza, raiva, mágoa, incompreensão, doenças...
Por isso é fundamental investir em si: cuidar da saúde física e psíquica, fazer psicoterapia para desenvolver o autoconhecimento, aprender a dizer "não" sem se culpar ou se punir por isso, identificar o que gosta de fazer, o que aceita do outro, quais os próprios limites, os próprios princípios...

Lembre-se que a segurança pessoal está relacionada ao quanto você se conhece, e que é através do autoconhecimento que você poderá modificar as crenças que o fazem se sentir inseguro e ou incapaz. Assim você perceberá que a necessidade de receber o amor do outro pode ser suprida de forma fiel à quem você é, e que o desejo de ser reconhecido diminuirá conforme você for se sentindo feliz com as suas próprias escolhas. Quando aumentamos a nossa segurança sobre quem somos, automaticamente diminuímos a necessidade de agradar os demais. Portanto saiba que um caminho seguro para a segurança pessoal é aquele trilhado com amor próprio.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Amor ou paixão?

Os relacionamentos iniciam com o despertar da paixão. A paixão ocorre de forma inconsciente, e é por isso que falamos que “não mandamos no coração” pois não temos controle sobre os nossos processos inconscientes. Por desconhecermos o nosso próprio funcionamento, não conseguimos controlar por quem iremos nos apaixonar. Exemplo: Um homem que se apaixonou pelas características de uma determinada mulher sem compreender que se apaixonara por ela devido ao seu desejo inconsciente de ter essas mesmas características para si devido a necessidade de agradar aos pais e receber a aprovação deles…
A paixão tem como característica enxergar no outro aquilo que considera-se importante para si e esse conceito de “importante” é uma consequência das crenças pessoais que cada indivíduo possui (agradar aos pais, mostrar que consegue, que é bom…). Sabemos que são inúmeros e extremamente singulares os critérios que fazem um indivíduo se apaixonar pelo o outro, contudo, a vivência da paixão embora particular, possui características específicas e gerais.
Na paixão, que é conhecida também como amor romântico, existe uma fuga da realidade: o indivíduo acaba vendo no seu objeto de desejo (namorado (a)/esposo (a)) características que são importantes para si ou que gostaria de ter em si, supervalorizando assim o objeto de desejo e desvalorizando ou negando o seu próprio ser. É por isso que quando nos apaixonamos diminuímos o interesse pelas outras relações e áreas da nossa vida, e temos como foco principal o objeto de desejo e o relacionamento em si e quando acaba a relação pautada na paixão sofremos tanto: além das idealizações, também perdemos o contato com quem somos devido à dedicação exclusiva à relação.
Embora a paixão traga várias sensações boas e intensas, ela traz consigo também a negação da realidade e costuma ter curta duração, diferentemente do amor maduro.
No amor maduro existe um contato com a realidade, ou seja, o encantamento desaparece gradativamente a partir da convivência e o objeto de desejo é percebido como alguém que também possui falhas, que erra e que possui fragilidades, mas com quem ainda se deseja partilhar os prazeres e dividir as angústias.
Deste modo, entende-se que o amor maduro é saudável porque existe um contato com o prazer mesmo que na realidade, diferente da paixão ou do amor romântico que afastam o indivíduo da sua realidade e o aproximam da fantasia tornando todo sentimento intenso. Isso não significa que no amor não existam prazeres ou sentimentos positivos, eles existem com certeza, porém são mais brandos e reais, são maduros.
É comum que algumas pessoas, ao perceberem que o encantamento pelo o outro está acabando, saiam do relacionamento. Isso ocorre porque para elas é doloroso enxergar a realidade e aceita-la, e porque também desejam viver constantemente picos de euforia e intensidade mesmo reconhecendo que a paixão não é eterna.
Mas, quando o indivíduo consegue perceber a realidade do outro e desenvolver empatia, avaliar a importância deste relacionamento para a sua vida e os ganhos obtidos através desta relação, então, automaticamente ele assume o compromisso com o amor maduro. Este, mais brando, seguro e duradouro e que precisa ser fortalecido com a empatia e amor próprio para que não altere a sua propriedade saudável de liberdade.
Logo, entende-se que para viver um relacionamento maduro é necessário que os indivíduos envolvidos nele também possuam maturidade emocional para compreenderem a realidade e aceita-la, e para apoiarem-se sozinhos e poderem expressar os seus sentimentos livremente, sem serem ou se sentirem punidos por isso. Esta maturidade emocional é conquistada através do autoconhecimento: identificação, aceitação e elaboração dos próprios medos, fragilidades, inseguranças…
Sabe-se que o amor é sentido de acordo com cada estrutura de personalidade, isso porque a personalidade é construída de acordo como foram vivenciadas as etapas  de desenvolvimento infantil. É a forma como essas etapas foram satisfeitas  e a qualidade dessas satisfações que irão refletir no modo como o adulto irá se relacionar.
É importante salientar então que a forma como fomos nutridos afetivamente na infância irá refletir nas nossas relações quando adultos. O medo de não ser amado, de não receber o suficiente, de ser enganado, o desejo de querer sempre mais afeto, acabam norteando a forma do indivíduo se relacionar com o outro. É por isso que nas relações nos deparamos com medos, com inseguranças, com necessidades infantis… Se indivíduos imaturos emocionalmente se depararem com esses sentimentos na paixão, provavelmente sairão da relação. Mas, se esses indivíduos forem maduros emocionalmente, mesmo que na paixão conseguirão compreender o outro e avaliar se estão dispostos a investir numa relação mais sólida e adulta, ajudando-se mutuamente.
Portanto, não é a etapa da relação que irá definir o destino do casal, mas sim a maturidade emocional dos indivíduos envolvidos nesta relação é que determinará a próxima etapa a ser vivida na relação.
Perceba como você reconhece e lida com os seus conflitos e como seu/sua parceiro (a) também o faz. Através desta análise você identificará se está vivenciando uma paixão ou um amor maduro e compreenderá também como quer conduzir a relação.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Traição: perdoar ou não?


A infidelidade é sem dúvidas um medo frequente nos relacionamentos. Quando falamos de traição automaticamente associamos aos relacionamentos conjugais, contudo ela não acontece somente neste tipo de relação. A traição corresponde ao ato de enganar o outro: a mentira é geralmente a ação utilizada por aquele que trai. E ela é encontrada em amizades, em relações de trabalho, no convívio familiar…

MAS POR QUE UMA PESSOA TRAI?

Cada indivíduo é único e possui sua história de vida particular: seus conflitos, suas dores, seus medos. Generalizar o motivo da infidelidade é desconsiderar a história particular que cada pessoa possui. Contudo, a partir de uma análise psicológica com enfoque psicanalítico, sabe-se que a infidelidade pode ter sua origem na infância. S
im, isso acontece quando a relação dos pais com a criança passa a ser permeada por ações que apresentam a perda do amor ou da confiança, podendo ocorrer inclusive abusos diretos ou indiretos na sexualidade infantil, passando a criança a vivenciar a experiência da traição. Tais experiências poderão ser reproduzidas ou apresentar reflexos na vida adulta.
Dependendo da fase do desenvolvimento em que ocorreu a experiência de traição, geram-se traços de caráter predominantes, e quando adulto, o indivíduo poderá ter uma fixação com relação à traição, vivenciando relacionamentos em que desempenha o papel de traído ou de traidor.
Alguns gatilhos contribuem para acessar esses conflitos internos e desencadear a reprodução do comportamento vivido na infância:
  • Insatisfação pessoal: A busca por vários relacionamentos ao mesmo tempo pode indicar a presença de um ego frágil, que para não entrar em contato com a sua fragilidade, desenvolve máscaras psicológicas: “o sedutor”, “o disputado”, “o descomprometido”.
  • Insatisfação conjugal: Quando a relação se desgasta (brigas, desrespeito mútuo, cobranças, imaturidade), pode contribuir para que ocorra a infidelidade. As vezes, também ocorre uma tomada de consciência de uma submissão na relação fazendo com que a parte submetida busque a sua liberdade através da traição como uma forma de dizer: “Chega!”.
  • Medo de envolvimento: O medo do abandono faz com que algumas pessoas busquem várias relações superficiais e ao mesmo tempo, isso ocorre devido ao desejo de se sentirem satisfeitas mas sem correrem o risco de se envolverem e perderem o seu objeto de amor.
  • Separação entre sexo e amor: Alguns indivíduos acreditam que sexo e amor fazem parte de categorias distintas, e que logo, um é independente do outro. Desta forma, ao buscarem relações sexuais extra conjugais, sem envolvimento afetivo afirmam que somente o corpo buscou satisfação, mas que os sentimentos permaneceram vinculados à pessoa “amada”.

É POSSÍVEL PERDOAR?

O perdão na psicologia possui como sinônimo a palavra empatia. Para perdoarmos alguém pelo dano causado à nós é necessário que desenvolvamos a capacidade de compreender as limitações do outro que o levaram ao ato que nos prejudicou. Quando nos sentimentos injustiçados, desrespeitados, humilhados e traídos, automaticamente fazemos contato com todas as outras vezes em que nos sentimos assim. Dessa forma o acúmulo desses sentimentos acaba gerando mágoa e supervalorizando ainda mais a situação traumática.
Porém, enquanto permanecemos com o sentimento de mágoa, desenvolveremos o papel de vítimas, e pode não parecer, mas esse papel traz vários ganhos secundários, o que nos faz mantê-los. Portanto, para perdoarmos alguém precisamos abdicar dos ganhos secundários que o papel de vítima traz e nos colocarmos no lugar do outro. Isso somente será  possível quando a raiva e todo o ressentimento forem expressados.
A partir disso passamos a enxergar o outro como alguém que possui limitações e que erra (assim como nós), e deste modo verificarmos se estamos dispostos a dar outra oportunidade para a relação, ou se preferimos investir em uma outra escolha.
Saiba que você tem todo o direito de sentir as dores da infidelidade, porém, perceba se você está se fixando nessas dores ou se está disposto a dar significado para o que sente e transformar-se positivamente.