terça-feira, 11 de abril de 2017

O luto representa o processo psicológico vivido por aquele que perdeu algo ou alguém. Fins de relacionamento são geralmente dolorosos porque é necessário se afastar de alguém que gostamos, ou que estávamos acostumados a conviver. 👉É por isso que é tão importante aceitar o fim de um processo ao invés de nega-lo. Quando insistimos em uma negação, levamos mais tempo para elaborar a nossa tristeza e seguir adiante. 👎👍A dor de se despedir de algo ou de alguém não podem ser substituídas, mas podem ser amenizadas. As vezes um colo, uma companhia que te auxilia a encontrar motivos para sorrir, assistir a um filme que inspira, podem contribuir para que esse processo seja vivido de uma forma mais branda.
🚩Observe se você está se permitindo aceitar alguns fins. A expressão dos sentimentos é fundamental para a elaboração do luto, e para evitar levar para outras relações os sentimentos que estavam guardados devido ao medo de aceitar o fim.

Ás vezes damos mais atenção ao outro do que à nós mesmos. É como se o outro fosse mais importante que o nosso bem estar, como se todos os esforços para mantê-lo na nossa vida fossem válidos.  E quando percebemos, vivemos para agradar, para manter alguém ao nosso lado, para sermos aceitos e reconhecidos e ainda assim, não conseguimos manter quem queriamos conosco. ➡Por isso experimente respeitar os seus limites e a construir o seu amor próprio. Lembre-se que você é autor da sua história, não permita que tirem a sua paz. 💆Se ame primeiro, curta a sua companhia, sinta-se bem consigo. Você é o seu lar, decore ele como preferir. Depois sim você poderá convidar alguém para entrar, mas lembre-se: a visita vai embora, mas você fica. Trate-se bem

terça-feira, 4 de abril de 2017

Por que os "bonzinhos" sofrem tanto?

Você consegue ser espontâneo nas suas relações? Sabia que devido ao medo de expressarmos os nossos reais desejos e com isso nos sentirmos rejeitados, acabamos desenvolvendo defesas para evitar expor quem somos?
Algumas pessoas desenvolvem um comportamento passivo diante do outro: aceitam sempre o que o outro fala, concordam com toda opinião, não se posicionam, não divergem, não contestam e não se priorizam nas relações, aliás, para elas a maior satisfação é agradar.
Este tipo de comportamento é baseado na crença de que para receber amor é necessário anular-se, assim, pessoas que se estruturam desta maneira evitam qualquer tipo de divergência ou posicionamento. Alguns inclusive acreditam que concordar sempre com o que alguém fala é um modo de demonstrar respeito. Esta crença tem seu fundamento em um modelo de educação patriarcal onde provavelmente existe uma figura na família que ocupa o papel de autoridade e que através da intimidação – seja ela direta ou indireta – considera que precisa ter a última palavra, caso contrário, pune aquele que o questiona ou o contesta.
Desta forma, para não se sentir punido, rejeitado e ou abandonado, o indivíduo inconscientemente passa a construir armaduras para se defender da sensação de ser abandonado, de não ser aceito do seu jeito. Inclusive, é comum que pessoas com comportamentos passivos tenham dificuldade de identificar quem são, isso porque durante muito tempo aprenderam a ser para agradar aos outros, se despersonalizaram, desaprenderam sobre suas preferências pessoais, ou, não as construíram.
Estes são os típicos “bonzinhos”, pessoas que priorizam as satisfações alheias, abdicam das suas próprias vontades, são extremamente disponíveis e tolerantes nas relações, são permissivas e consequentemente suportam inclusive abusos uma vez que não reconhecem os seus limites.
Devido à todas estas características, a pessoa “boazinha” costuma se envolver em relações onde consegue desempenhar este papel diante de uma autoridade. E, quando se envolve em relacionamentos onde é estimulada a ter iniciativa, expressar as suas vontades, divergir de opiniões e ter voz ativa; sente-se perdida e amedrontada e com dificuldade de se diferenciar do outro, optando geralmente por não se envolver emocionalmente para não correr o risco de ser abandonada ou rejeitada caso venha a mostrar quem realmente é.
É por isso que é comum o sofrimento em relações onde um dos envolvidos possui como característica geral ser “bonzinho”. Como dificilmente esta pessoa recebe atitudes compatíveis com as suas, sente-se frustrada, injustiçada e incompreendida, além de sentir-se vítima dentro do relacionamento, culpando o outro pelo egoísmo na relação quando na verdade muitas vezes o que falta em si é refletir sobre seu excesso de altruísmo para com esta.
Logo, a reflexão necessária para relações onde existe a presença de um indivíduo que aprendeu que para ser amado precisa esconder quem ele é e sempre agradar ao outro, é ao invés de considerar que o outro não é altruísta, refletir que às vezes a origem do problema não está no outro não ser altruísta, mas sim no indivíduo “bonzinho” não ter amor próprio.
É importante considerar que as armaduras tem sempre o objetivo de nos proteger daquilo que nos causa medo, contudo elas não permitem a desconstrução daquilo que nos amedronta. A melhor forma de  viver em uma relação saudável e compatível com as próprias necessidades é fazendo parte ativamente dela, pois se não conseguirmos nos escutar como poderemos esperar que o outro nos entenda?
Toda vez que você expressa o que sente, você assume quem é perante o mundo e abre possibilidades para encontros onde seus desejos possam ser realizados plenamente. Por isso, uma dica importante para quem se identifica com o papel de “bonzinho” e sofre por ter se desenvolvido assim, é reconhecer uma defesa e o que precisa para se desfazer dela. A partir disso estimular o desenvolvimento desse aspecto. Quando fortalecido, verá que a defesa automaticamente foi embora. Um bom método para desenvolver amor próprio é começar a identificar as suas preferências, quando elas são aceitas permitem autenticidade nas relações além da quebra de crenças negativas a respeito de amar e ser amado.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Solidão e vazio existencial: você foge ou enfrenta?

O contato com o outro, as interações sociais, a construção de vínculos afetivos são formas que encontramos para conhecer o mundo do outro, compartilhar experiências, nos sentirmos inclusos e pertencentes em um espaço que já é povoado por um outro alguém. As relações quando são saudáveis proporcionam o desenvolvimento de diversas habilidades sociais: comunicação, empatia, afetividade… Porém, quando estes contatos se tornam em excesso a ponto de não permitir um momento de individualidade, podem ir além do objetivo de desenvolver tais habilidades e construir vínculos saudáveis, eles podem representar fugas para evitar entrar em contato com as sensações causadas por estar sozinho, já que estar sozinho é geralmente considerado sinônimo de solidão.
A solidão está associada a sofrimento; as músicas, as novelas, os filmes geralmente mostram o lado doloroso de se estar só, apresentam um indivíduo abandonado ou rejeitado, que se sente “vazio”, e que não consegue viver em um determinado momento sozinho, buscando desta forma relações para se preencher; relações estas que muitas vezes são destrutivas; ou ainda, investindo em relacionamentos onde não há reciprocidade no desejo comum de querer estar juntos.
Na psicologia a solidão é representada pelo sofrimento devido a ausência de algo ou de alguém, é como se ela fosse simbolizada por uma falta, ou um “não ter”. Ou seja, a solidão não corresponde necessariamente a ausência de pessoas, mas sim a um estado ou a uma percepção de falta que pode ser sentida até mesmo no convívio com outras pessoas. Isto ocorre quando o indivíduo encontra-se insatisfeito consigo, criando uma expectativa de felicidade que é depositada em uma pessoa específica ou em um modelo de relacionamento que ele considera ideal para suprir as suas carências.
Isto acontece frequentemente com pessoas que tem dificuldades de se experimentar sozinhas, que possuem carências afetivas e tentam supri-las através das relações. E, sempre que se vêem sozinhas ou diante da possibilidade de se experimentarem a sós, se angustiam e ou se deprimem, podendo tanto se isolar em seu mundo de ausências, ou ainda, partir numa busca desenfreada por programas e contatos para evitar o risco de se verem sozinhas, bem como para preencher o vazio existencial.
Ás vezes é possível perceber pessoas que sofrem investindo em relacionamentos tóxicos ou onde não são correspondidas porque não consideram a possibilidade de se reconstruírem sozinhas com maiores e melhores possibilidades de se viver.
Por isso é tão importante fazer uma auto análise: quais os meus pensamentos e sentimentos quando me percebo sozinha (o)? Gosto da minha própria companhia? Será que eu realmente aprendi a ficar sozinha (o) e a gostar da minha própria companhia? Do que eu estou fugindo?
Um método saudável para aprender a ficar sozinha (o) sem sentir a tristeza da solidão é, se experimentar sozinha (o), enfrentar os medos que esta situação traz para assim desconstruir crenças negativas que até então impediram este contato consigo, e deste modo, construir novas formas de se satisfazer na própria companhia, sem necessitar depender da presença de outras pessoas. Utilizar do que se tem no momento de modo a se beneficiar é também uma estratégia importante para o enfrentamento do medo de se sentir só: ouvir músicas que despertam sentimentos de encorajamento, fazer uma comida que lhe agrada, organizar algo que é sempre postergado, assistir a um filme, dançar, fazer um jardim… Em fim, se escutar e atender as próprias necessidades dentro das condições que se tem no momento é uma forma madura e realista de se viver. Não fuja das suas dores, dê atenção à elas, somente assim você poderá elaborar as suas carências e fechar os seus vazios existenciais.
Saiba que o psicólogo clínico é o profissional capacitado para lhe auxiliar a identificar a origem dos seus sentimentos. Além disso, ele conseguirá lhe auxiliar na busca de autoconhecimento contribuindo para que você  compreenda os seus relacionamentos, se conheça melhor, transforme a sua forma de se relacionar e modifique a sua realidade dentro do que lhe é permitido.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Você se permite ser feliz?

Abraham Maslow, psicólogo americano; muito conhecido pelo desenvolvimento da teoria das necessidades; disse que todo indivíduo busca sempre melhorias para a sua vida, e que assim que satisfaz uma necessidade, ele automaticamente identifica outras necessidades para então, quando saudável, partir em busca de satisfazê-las.
Esta pulsão de vida é a motivação que nos faz buscar constantemente viver momentos de excitação, alegria, entrega e espontaneidade. Quando desejamos encontrar um novo emprego, firmar uma parceria, construir amizades sinceras, nos envolver em relacionamentos onde há reciprocidade, automaticamente estamos buscando satisfazer necessidades que caso não sejam supridas, poderão gerar insatisfações. Quando realizamos um desejo, por mais básico que ele seja, entramos em contato com a sensação de satisfação, que se manifestará de diversas formas, podendo gerar euforia, gratidão, relaxamento, excitação… Este é o momento que sem dúvidas podemos desfrutar da conquista, descansar da corrida e reconhecer a importância do esforço investido na concretização do desejo.
Porém, algumas pessoas possuem dificuldade em desfrutar destes momentos, geralmente se boicotam a não viver-los. Quando estão prestes a concretizar o que tanto buscavam, recuam, desistem ou criam situações que impedem a satisfação das suas necessidades. Estas pessoas em resumo, se boicotam.
Isto acontece quando condições no passado deste indivíduo contribuíram para que ele acreditasse que não era merecedor das sensações que a satisfação das suas necessidades trazem, ou ainda, que não conseguiria concretizar os seus desejos. E mais, quando devido ao medo de se frustrar e perder o que tanto quer, evita se sentir feliz, optando por manter-se com as sensações que embora desconfortáveis, já são conhecidas para ele, e portanto, não trarão sofrimento caso as perca.
O comportamento de auto boicote faz parte de uma estrutura de personalidade que possui um traço masoquista, pois como julga não ser merecedor das alegrias, o indivíduo as evita e consequentemente busca no sofrimento o sentido da sua vida. Provavelmente você já conheceu alguém que se queixava por não conseguir realizar um desejo porque acreditava que não era capaz, e ou, que não tinha condições de concretizá-lo, e ainda, quando as oportunidades de realizar o que ele tanto queria apareciam, ele simplesmente não valorizava o momento, e o transformava em reclamações, descontentamento, pessimismo, se tornando alguém desagradável para se conviver. O indivíduo que possui um traço de caráter do tipo masoquista é alguém que aprendeu a não se permitir se sentir feliz, e que possui uma  baixa auto estima como reforçadora da crença negativa de que não merece usufruir da sensação de tranquilidade que somente a satisfação daquilo que se quer proporciona.
Por isso é tão importante avaliarmos os nossos esforços diante aquilo que queremos conquistar, porque é através da reflexão sobre o quanto e como estamos investindo na nossa felicidade que compreenderemos se estamos realmente buscando o que nos satisfaz ou, se estamos nos boicotando.
Se em algum momento da sua vida você identificar que não está usufruindo de um momento devido ao medo de que ele acabe, se certifique dele estar sendo positivo para você naquele momento, pois, é nele que você está. Se boicotar para não sofrer é antecipar uma dor que pode nem vir a existir. Assim, reflita sobre como você quer se sentir, e se a resposta for: feliz, reveja o que você está fazendo para isso e se esta busca tem valido a pena uma vez que você não se permite celebrar a sua conquista.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

"O medo de término é tão grande que passou a evitar começos"

O medo de se sentir abandonada (o) faz com que você evite se relacionar afetivamente?
A ideia de um novo relacionamento é geralmente permeada de sentimentos intensos como paixão, carinho, vontade de estar perto, de auxiliar o outro, de ser aceita (o) do jeitinho que se é, desejo de amar e de ser amada (o). Quando existe um encantamento pelo o universo que o outro oferece, automaticamente o interesse é voltado para o mundo dele, e com isso surge a vontade de fazer parte desta realidade que é apresentada. Com isso, consequentemente surge a vontade de se envolver afetivamente e de se vincular àquele que nos despertou interesse. Então, para que este envolvimento seja saudável no momento presente, é esperado que exista uma troca afetiva mútua/recíproca pois será ela que irá possibilitar o desenvolvimento de vínculos concretos e estáveis, e com menos probabilidades de frustrações. Ou seja, é a segurança de que existe uma entrega afetiva de ambas as partes que possibilitará que as sementes dos sentimentos que circundam uma relação germinem e dêem frutos.  Contudo, não é sempre que se consegue enxergar ou admitir que o solo é fértil para o plantio, e que é possível entregar-se saudavelmente ao relacionamento. Isso ocorre por diversos fatores, predominando o fator medo de sofrer como sentimento paralisante e as vezes, limitador.
O medo do abandono e da rejeição são frequentes em inícios de relacionamento. Isso porque ainda se desconhece o outro, e não se sabe como ele irá reagir com a nossa forma de ser. É muito diferente por exemplo, de se relacionar com algum amigo íntimo ou familiar, pois sabemos como eles lidam com alguns comportamentos que temos, sabemos o que os faz irem embora e o que os mantém na relação. Porém relações novas não nos permitem ter este conhecimento, pois,  assim como nós não sabemos se vamos gostar do comportamento alheio também não sabemos se ela (ele) gostará do nosso. E é esse não saber que geralmente gera angústia e medo intensos, fazendo com que o indivíduo evite a relação. Esse "evitar" é frequentemente baseado na ideia de sofrer no futuro, por isso elimina-se a possibilidade de ser feliz no hoje.
Você deve estar se perguntando como saber se existe reciprocidade no interesse em investir na relação, afinal, é este o elemento base que dá movimento ao processo de se envolverem. Embora as frustrações sejam necessárias para sabermos lidar com a falta de controle sobre tudo, para termos maturidade e compreensão dos nossos limites, ninguém deseja se frustrar ou sofrer deliberadamente. Por isso, diante de uma possibilidade de relacionamento, é importante identificarmos quais sentimentos estão emergindo em nós quando estamos em contato real com o outro, e assim portanto, por que e para que estamos ali.  Essas análises pessoais nos possibilitam identificar quais os nossos objetivos e expectativas para com o outro e qual o formato de relacionamento desejamos, para então, a partir destes conhecimentos, nos comportarmos de acordo com os nossos desejos e expectativas.
Quando somos sinceros conosco e assumimos as nossas reais pretensões fica mais claro nos movermos ao encontro do que queremos. Contudo, é fundamental que mostremos também para o outro esses desejos, é assim que conheceremos o posicionamento dele frente às nossas pretensões, tomando assim a decisão de seguir adiante e nos envolvermos ou de recuarmos e nos afastarmos, ou modificarmos de forma saudável os nossos desejos para que sejam atendidos dentro das possibilidades que o outro claramente nos oferece.
Por isso, analise seus reais interesses e a forma como você os demonstra, e se certifique de que o outro está recebendo a sua mensagem conforme você gostaria que recebesse. Os sinais dele serão critérios para você avaliar se ambos estão de acordo com os mesmos objetivos para com a relação, ou seja, se podem se envolver no momento presente ou se para evitar frustrações, é melhor se distanciar.
É importante salientar que cada indivíduo tem a sua forma de gostar, de se envolver, de se relacionar e demonstrar os seus sentimentos, e que portanto, dificilmente a forma como cada um expressa o que sente será idêntica. Contudo, é fundamental compreender as intenções por trás de cada gesto e se esses gestos são positivos ou não para quem os recebe. Mas que é somente através do envolvimento que esse "conhecerem-se" ocorrerá.
Desta forma, é saudável analisarmos sempre se a situação/relação nos oferece um risco real ou se são os nossos medos que estão criando fantasias com o intuito de não nos envolvermos. Se os riscos são reais precisamos observar quais os ganhos que a situação oferece no momento presente e se através deles conseguimos ainda manter o foco no nosso objetivo. Se os medos são baseados em fantasias que não condizem com a realidade, ou seja, se o outro demonstra que tem os mesmos objetivos que nós, precisamos compreender o porque da nossa insegurança, o auxílio psicológico é fundamental principalmente nesta situação.  

A dor precisa ser vivida somente no momento presente, qualquer dor que seja baseada em um futuro é fantasiosa e limitadora pois o que ocorre é uma fuga do que é real (que é somente o hoje). Um questionamento importante a se fazer é: "E hoje, até onde eu consigo ir?" Não é necessário passar dos limites, podemos ir até onde temos condições. Mas adiar a felicidade por medo do que virá é sofrer pelo o que ainda não existe, e que pode nem vir acontecer. Conhecer as nossas intenções e respeitá-las, bem como conhecer o outro é o mapa de toda relação. Usufrua do que você tem hoje mesmo que seja uma relação recente, se assegure de estar se sentindo bem e se permita viver o presente. E lembre-se de fazer isso amanhã também! O futuro é construído de vários "hojes", faça de cada hoje um "para sempre" para você. Pense nisso!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Quem tem sede demais não escolhe a água que bebe - Você ama demais?



Como é a sua relação com o amor?
Você já se perguntou se é uma pessoa que ama demais?
Em algum momento da nossa vida desejamos vivenciar o sentimento de amor. Geralmente associamos este sentimento com os relacionamentos conjugais onde acreditamos na existência de uma figura que desperte os nossos sentimentos e comportamentos mais saudáveis. Porém, algumas pessoas tem dificuldade de estabelecer um relacionamento saudável mesmo que ainda considerem que ele é regido pelo amor. Acontece que para algumas pessoas, mulheres principalmente, o amor é medido segundo a intensidade de sofrimento que ele causa. Parece absurdo? Pois essa realidade é muito comum.
Você provavelmente já conheceu alguma mulher que fez do seu relacionamento o motivo da sua existência, ou que buscou sempre o mesmo padrão de parceiro: infantil, dependente e narcisista, ou ainda, que justificou todos os erros do parceiro ou se responsabilizou pela infelicidade dele. Saiba que essas mulheres tem algo em comum, elas são consideradas mulheres que amam demais.
Ninguém se torna uma mulher que ama demais por acaso, crescer como mulher em uma sociedade que estabelece estereótipos de gênero e em famílias com desajustes emocionais contribui para o desenvolvimento de comportamentos como: abnegação, submissão, necessidade de se sentir necessária na vida de um homem, necessidade de ser mãe do próprio cônjuge, dificuldade de identificar a necessidade de colocar limites.
Amar demais significa ficar obcecada por alguém e considerar essa obsessão como uma expressão de amor, permitindo que ela controle as emoções e boa parte do comportamento mesmo percebendo que exerce influência negativa sobre a própria saúde e bem estar, e ainda assim considerar-se incapaz de se opor à pessoa. Amar demais significa medir a intensidade do seu amor pela quantidade de sofrimento que ele traz.
Características de quem ama demais:
  • Insegurança;
  • Baixa auto estima;
  • Medo de ficar sozinho (a);
  • Sentir-se culpado (a) pelos erros do outro;
  • Responsabilizar-se pela felicidade do outro – “Complexo de salvadora”.
Como age nas relações:
  • Nega a si para satisfazer o outro;
  • Depende da felicidade do outro para sentir-se feliz;
  • Possui vício em ter a presença do outro;
  • Necessidade de ter controle sobre o comportamento do outro.
Quando as nossas experiências na infância são bastante dolorosas, recriamos situações parecidas em nossa vida adulta como forma de conseguirmos domínio sobre elas. Logo, as pessoas que amam demais certamente vivenciaram na infância relações onde sentiam que precisavam ser “muito boas” para se sentirem amadas, e assim na vida adulta passaram a buscar relacionamentos onde existia o desafio de serem cada vez melhores para o outro para serem aprovadas, porém nunca sendo suficiente para elas mesmas. Ou, na infância aprenderam que precisavam cuidar da família para que o lar não fosse tão desajustado.
Logo, na vida adulta essas mulheres buscam parceiros infantis ou dependentes para que assim elas consigam reproduzir o papel de cuidadora, papel esse que elas reproduziam tão bem na infância mas que não lhes dava o que elas realmente precisavam na época e que por não ter sido suprido prevalece na idade adulta que é o amor incondicional. “É a possibilidade emocionante de retificar velhos erros, de ganhar o amor perdido e de conseguir a aprovação negada, que para as mulheres que amam demais é a química inconsciente que está por trás do se apaixonar” (Robin Norwood).
Acontece geralmente que essas mulheres buscam e acabam encontrando parceiros que realmente se encaixam nas necessidades delas: se ela precisa se sentir necessária, encontrará um homem que procura alguém que assuma as responsabilidades por ele, se ela precisa se sacrificar para receber atenção, encontrará um homem egoísta… Dificilmente essas mulheres se relacionarão com alguém que não fortaleça os papéis que elas estão acostumadas a representar, assim evitarão relacionamentos saudáveis e maduros, isso porque não se sentirão atraídas por aquilo que não as desafia a receber amor. Para as mulheres que amam demais, receber amor significa aceitar o sofrimento oriundo da relação.
Apesar desses padrões comportamentais terem sua origem na infância, é possível desconstruí-los para então aprender uma nova forma de amar, essa mais saudável e compatível com as reais necessidades dessas mulheres que por tanto tempo acreditaram que eram merecedoras de tão pouco. O primeiro passo é sem dúvidas identificar qual o conceito de amor que se tem, e se ele é compatível com a relação que se vive. O segundo passo é analisar de que forma as experiências negativas do passado tem se repetido no presente, para então entrar em contato consigo, desenvolver amor próprio, cuidar de si e construir novas formas de dar e receber amor.